O garoto subiu torto as escadas que davam para um quarto pequeno. Ainda sentia no seu corpo o efeito da droga que quase corria veia-acima, veia-abaixo. Deu sorte de não encontrar os pais em casa. Deu sorte de não se encontrar em si.
Tudo estava misturado no seu peito, mas depois da fina agulha achar uma veia no braço já coalhado de picadas, num tom de roxo e escalarte, nada mais importava.
Importava ter pais que se odiavam? Acaso importava ter professores que dão aula de olhos fixos no seu dinheiro e não em você? Logo não importa também ter sido tocado pela AIDS.
Nenhuma dor te toca quando você não quer. É simples: suma. E Maurício sumiu para dentro de seu universo.

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