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O que será (à flor da pele)
Chico Buarque
“O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita”

Eu não fui um homem de romance, nem tive um relacionamento de verdade. Mas quando você demorou a responder minhas mensagens algo aconteceu. Eu já pensava não ser dado ao amor, senão ao sexo. Talvez fosse um fado não me apaixonar por alguém, e adorador fiel de Eros, nada recebesse de sua mãe Afrodite, que conhece não só o corpo, mas a alma do amor.
Algo ferveu no meu peito. Primeiro a ansiedade de te ver de novo, uma vontade imensa me tirou do lugar. Depois uma inquietação e insegurança com relação à sua vontade e intenção. Por último um não sei o que, que não sei ao certo onde é que se manifesta, mas tem feito cócegas no coração e na cintura, mãos, músculos, masculinidade.
Deixou tudo formigando e ao contrário do que pensei, não passou quando te vi. Cócegas viraram pontadas agudas, flamejantes, fiquei incendiado de uma vez. Não tive medo que a causa de tudo fosse você, tive amor. Agora sei que não sou apático, um amaldiçoado pelos deuses. Faltava a hora certa, que chegou. E a palavra certa, que você sabia. Estou pronto, te amo.

Não sei até onde iremos, e ao contrário de você eu sou muito dado a relações, já casei e separei. Amei. Amei. E olha no que deu! Acho que tinha me preparado para não ter relações sérias por um tempo. Mas veio você e disse que o sol despertava no meu sorriso, e subindo até os olhos, de lá se lançava direto no seu coração…
Assim você acaba comigo, querido, sempre amei meu sorriso, mas nunca enxerguei seu brilho como você me fez ver. E aí eu fico bobo e nem sei mais. Tanta coisa menos séria se apresenta para mim a toda hora. Mas também, tanta coisa apresentável eu encontrei em você, bebê, pessoa séria…
Devo te corrigir quanto a Eros. Não é possível que ele tenha algum poder que não comungue das artes de Afrodite. Eros não cuida só do corpo e dos prazeres carnais. Ele faz a ponte para prazeres maiores, digno deus, não permitiria que um servo fiel sofresse a sede de um amor eterno, sem encontrar algo que lhe sacie dentro do belo recipiente que é o corpo.
Você está pronto em dizer que me ama, mas eu não sei. O que percebi é que o celular toca chamadas diversas, mas sempre que é a sua tem um tom diferente, mais pausado, sussurrado. Fico logo numa agitação em que te evitar não dá, e eu não quero.

E eu, tenho claro nos meus sentidos
a nota do seu perfume,
o gosto do seu beijo.
Seu sotaque grudou na minha língua – acredita?!
Como pode?

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