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Noite com três estrelas II

Ele não quis entrar
Deu desculpa, ficou atrás
E eu ansioso. Sorriso convida.
Nada mais de timidez, hambúrguer na boca,
Abraço de velhos papos
E de primeira vista.
A primeira vista tem magia.

“Quem nunca se apaixonou por um olhar que nunca existiu, mas naquele momento surge tímido, querendo ser notado, esperando o convite…”

John John, senta ao lado
Deixa outro John entrar aí,
Não vai bagunçar não, amar.
Suas palavras do norte,
Veia forte já nos une, a noite
Que os dois preferem. A rua
Que sempre esteve comigo
Só te trouxe hoje.
Não era noite de estrelas,
Nem ia acontecer,
“Papai-não-deixa-mamãe-não-quer”
– E pra ter casa, chaga cedo, menino!
No fim, teve noite, faltou estrela.
Você não ia, convite urgente…
Não esperava noite com estrela
Dentro da casa,
Nem dentro da outra casa.
Esperava música, pista, pinga.
Puxa a camisa, sai uma estrela.
E eu no medo: será que curte tattoo?
Passa a mão, leve relevo, outra estrela.
Ele curte tattoo. Quando tudo se apaga, nele acende: estrela!
Tanta proposta, tanto apalpo…
Podia tudo,
Estava livre,
Era tudo meu,
Parte do bolo e da festa,
E do contrato de ser feliz.
Mas a noite já tinha dono.
E tinha três estrelas.

Sao Paulo c’est une fête!

Vale considerar a essa altura o que se passou no táxi, dois lugares, um amigo no volante – “desculpa atrapalhar, chegamos”. Atrapalha-não-senhor! Antes do chegar teve olho no olho, sorriso. Senta mais perto. Daí olha de novo, mais perto. Deita no ombro – eita meiguice danada! Sorriso. Mais perto, sorriso, mais perto, mais perto, mais sorriso.
Beijo teve antes do chegar. E o estalo barulhou contentamento no taxista, que nem escolheu caminho mais longo, nem correu, mas foi de modo a fazer do táxi ninho imóvel. “Valeu moço, bom trabalho”.
Aniversário dá desconto, faz bônus, combo, plus, cartão vip. Bem-aventurados os que se auto presenteiam, porque sabem o valor que têm e o que dá pra gastar sem sucatear o presente.
Dá drink, roupa, rua. John John, Brice, Boss. Dá trato na pele e quem dela trate, com amor e posse.
Não vi sol nascer, de olho nas estrelas que desistiram de alugar o céu e compraram terreno no corpo dele – a Lua se ri de nós, que compramos terreno lá sem saber sequer viver aqui, ela gosta é das estrelas que sabem cair em lugar certo e ali ficam sem perder o brilho.
Mas amanheceu.
O Sol já nascia naquele sorriso, ensaiando escalar pelos olhos, iluminando o rosto. Calculou um salto e se foi para o céu. Não queria o céu, quem pensa se engana, queria a mim. E de fato, ao entardecer o percebi entrando no meu coração. Gemi um sentimento estranho. Queimava como a manhã o confessa, ela que me observou arder em desejo. E queimava ainda mais, se alojando renitente a hipótese de despejo. Aproveitou do ensejo para me mudar, e fui derretendo aos poucos. Um dia e já não era eu, e no outro, ainda menos, e no outro pedi ajuda: não sou acostumado a me apaixonar…
Cabem todos os poetas nas minhas linhas, e cabem as prostitutas e os santos. Os anjos cercam, invejam, mas no lugar cabe o deus-homem, e todo mortal que de fato se apaixonou. Se me amar humaniza, então que eu seja bem vindo à humanidade, que nasceu em mim o amor.

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